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Displasia coxofemoral: porque encaminhar à fisioterapia

A displasia coxofemoral atualmente é uma das afecções ortopédicas mais significante em cães, pois pode prejudicar significantemente a qualidade de vida dos animais.

Considerada uma alteração no desenvolvimento, envolve a cabeça, colo femoral e acetábulo e tem transmissão hereditária, recessiva, intermitente e poligênica. A condição clínica do animal pode ser agravada por fatores ambientais (viver em pisos lisos), nutricionais (a obesidade agrava os sintomas) e biomecânicos (alterações posturais secundárias). Os sinais podem ser variados como claudicação uni ou bilateral, deslocamento do centro de gravidade cranialmente, dorso arqueado, rotação lateral dos membros, andar cambaleante, dificuldade de levantar, dor à palpação do local.

Os objetivos do tratamento devem ser a redução da dor do paciente, diminuir da progressão da doença articular degenerativa e a tentativa de manter ou restaurar a função normal da articulação, senpre considerando a idade do animal, grau de desconforto e severidade dos sinais clínicos, achados radiograficos e até recursos financieiros do proprietário.

Entre as opções conservativas devem-se utilizar a associação do controle da dor e da doença articular degenerativa, controle de peso e exercícios orientados. O uso de fármacos antiinflamatórios não esteroidais como carprofeno (2,2 mg por kg VO BID ou 4,4 mg por kg VO SID) e o firocoxib (1 a 2 mg por kg VO, SID.) auxiliam no tratamento porém não devem substituir o controle de peso e o programa de exercícios. Há ainda a opção da administração de glicosaminoglicanos, glicosamina, sais de condroitina e hialuronato, porém há a necessidade de mais estudos para a comprovação de sua eficácia.

O retorno da função articular está diretamente ligada à manutenção ou ganho de força muscular nos membros pélvicos. Isso deve ser feito através de exercícios controlados e com baixo impacto, ou seja, que não causem estresse articular. Dentre eles podem ser indicados hidroterapia, natação, caminhadas controladas na guia, entre outros, evitando outros que possam causar danos articulares como corridas e exercícios de impacto.

O programa de exercícios deve respeitar os sinais clínicos , não podendo causar dor, sendo assim individualizados. Podem ser associados exercícios para grupos musculares específicos incluindo caminhadas em aclive, exercícios de senta e levanta, dança, uso de bolas terapêuticas para isolar grupos musculares, entre outros.

O alongamento passivo dos membros tem grande importância no ganho de amplitude articular e muscular além do restabelecimento da função da mesma. Além disso, a mobilização articular adequadamente realizada auxilia na redução da rigidez, aumentando a amplitude de movimento articular e possibilitando uma melhor movimentação do animal, aumento no metabolismo e difusão de nutrientes na cartilagem.

Outras técnicas podem ser associadas como a utilização de ultrassom terapêutico, bolsas quentes, massagens e eletroterapia ( TENS, Insterferencial) para auxiliar na redução da dor e da rigidez articular, proporcionando condições para a realização dos exercícios ativos. Pode ainda ser ulitizada a eletroestimulação neuromuscular para auxiliar no ganho de força e redução de hipotrofias musculares. Nos processos inflamatórios agudos, a crioterapia pode auxiliar no controle da inflamação e ajudando no controle da dor. A associação do tratamento à técnicas de acupuntura ( como agulhamento, eletroacupuntura e implantes de ouro) é recomendada , obtendo-se assim um efeito sinérgico.

Por fim, conclui-se que o a abordagem da displasia coxofemoral em nossos pacientes deve envolver terapias múltiplas para assim proporcionarmos uma adequada qualidade de vida ao animal. A prática de fisioterapia, suporte analgésico e exercícios orientados são essenciais nas diversas formas clínicas em que se apresenta a doença, mantendo o suporte articular adequado, inclusive em animais em que já foram realizadas técnicas cirúrgicas.

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