16 JUL

Tudo que você precisa saber sobre Displasia Coxofemoral

Fisioanimal

Uma doença comum, hereditária e agravada pelas condições em que o pet vive.

 

A displasia coxofemoral é uma doença relativamente comum nos cachorros, com caráter hereditário e agravado por fatores ambientais. Embora a doença possa afetar qualquer cachorro, algumas raças como Golden, Rottweiler, Labrador, Pastor Alemão e Buldogues têm maior predisposição para a afecção.

O que é a displasia?

A displasia coxofemoral se caracteriza pela diferença entre o crescimento de duas partes componentes do quadril, o acetábulo, colo e cabeça do fêmur, o que gera uma incongruência na articulação.

Qual é a causa da displasia?

Embora seja uma doença  hereditária, ela também pode ser agravada de acordo com o ambiente em que o pet vive. Alguns fatores que agravam essa condição são: pisos lisos, sobrepeso (obesidade) e exercício em excesso.

Quando os sintomas aparecem e quais são?

Normalmente os sintomas aparecem entre 4 meses e 1 ano de idade. O cão passa a ter dificuldade para realizar movimentos básicos como caminhar, correr, levantar e até sentar, passando a se sentar de lado por conta da dor. Alguns animais podem apresentar os sintomas entre 4 e 6 anos de idade, evidenciando um quadro de artrose associado à doença.

Como funciona o diagnóstico?

Para fazer um diagnóstico correto, leve seu pet a um veterinário o mais rápido possível. Ele pode fazer alguns testes simples que já podem indicar algo errado como palpação do quadril e coxas, e alguns exercícios básicos como fazer o pet caminhar, correr ou ficar em pé. Caso haja algo errado, o raio-X é a maneira mais efetiva de diagnosticar o problema.

Tem cura?

Infelizmente, não. Os tratamentos buscam a redução da dor, diminuir a progressão da doença articular degenerativa (artrose) e a tentativa de manter ou restaurar a função normal das articulações do paciente.  

Precisa de cirurgia?

A cirurgia só é indicada em casos muito graves, porém não é curativa. O tratamento mais indicado atualmente é a reabilitação.

Como tratar sem cirurgia?

O tratamento da displasia coxofemoral deve envolver terapias múltiplas para proporcionar uma adequada qualidade de vida para o pet. A prática de fisioterapia, suporte analgésico e exercícios orientados são essenciais nas diversas formas clínicas em que se apresenta a doença, mesmo em cães que já foram operados.

O retorno da função articular está diretamente ligado à manutenção ou ganho de força muscular nos membros pélvicos. Isso deve ser feito através de exercícios controlados e com baixo impacto, ou seja, que não causem estresse articular.

 

Alopatia: utiliza-se vitaminas e aminoácidos para melhorar a área que foi afetada ou anti-inflamatórios para diminuir a dor. Medicamentos para controlar a dor podem ser prescritos para ajudar o animal a conseguir realizar o tratamento da fisioterapia em casos mais graves.

 

displasia coxofemoral

Dentre os fatores que contribuem para a piora no quadro, a obesidade tem destaque. A falta de exercícios e sedentarismo também piora as dores e dificuldades de locomoção.

Fisioterapia: ajuda a fortalecer a musculatura, aumentando a sustentação do quadril.

Hidroterapia e Natação: ajudam no condicionamento físico e fortalecimento da musculatura.

Homeopatia: não ajuda diretamente na displasia, mas diminui a dor e aumenta o bem-estar do pet.

Acupuntura: auxilia no alívio da dor.

Crioterapia: alivia dores agudas.

Massoterapia: ajuda a aliviar as tensões articulares e musculares.

Eletroterapia (Shock Wave ou Laser): ajuda a reduzir a dor e rigidez articular.

Implante de ouro: ajuda no controle da dor e na controle da artrose a longo prazo.

 

Ufa, acho que deu para falar um pouco de displasia coxofemoral, mas se você ainda tem alguma dúvida ou quer trazer o seu pet para uma avaliação, agende uma consulta aqui na Fisioanimal.

Abaixo, para complementar, temos ainda um texto técnico, escrito pela Dra. Maira Formenton, nossa diretora clínica, para você que quer se aprofundar no tema. 

 

Displasia coxofemoral: porque encaminhar à fisioterapia

Texto publicado da Revista Nosso Clínico autoria Dra. Maira Formenton.

A displasia coxofemoral atualmente é uma das afecções ortopédicas mais significante em cães, pois pode prejudicar significantemente a qualidade de vida dos animais. Considerada uma alteração no desenvolvimento,  envolve a cabeça, colo femoral e acetábulo e tem transmissão hereditária, recessiva, intermitente  e poligênica. A condição clínica do animal pode ser agravada por fatores ambientais (viver em pisos lisos), nutricionais (a obesidade agrava os sintomas) e biomecânicos (alterações posturais secundárias). Os sinais podem ser variados como claudicação uni ou bilateral, deslocamento do centro de gravidade cranialmente, dorso arqueado, rotação lateral dos membros, andar cambaleante, dificuldade de levantar, dor à palpação do local.

Os objetivos do tratamento devem ser a redução da dor do paciente, diminuir da progressão da doença articular degenerativa e a tentativa de manter ou restaurar a função normal da articulação, senpre considerando a idade do animal, grau de desconforto e severidade dos sinais clínicos, achados radiograficos e até recursos financieiros do proprietário.

Entre as opções conservativas devem-se utilizar a associação do controle da dor e da doença articular degenerativa, controle de peso e exercícios orientados. O uso de fármacos antiinflamatórios não esteroidais como carprofeno (2,2 mg por kg VO BID ou 4,4 mg por kg VO SID) e o firocoxib (1 a 2 mg por kg VO, SID.) auxiliam no tratamento porém não devem substituir o controle de peso e o programa de exercícios.Há ainda a opção da administração de glicosaminoglicanos, glicosamina, sais de condroitina e hialuronato, porém há a necessidade de mais estudos para a comprovação de sua eficácia.

O retorno da função articular está diretamente ligada à manutenção ou ganho de força muscular nos membros pélvicos. Isso deve ser feito através de exercícios controlados e com baixo impacto, ou seja, que não causem estresse articular. Dentre eles podem ser indicados hidroterapia, natação, caminhadas controladas na guia, entre outros, evitando outros que possam causar danos articulares como corridas e exercícios de impacto.

O programa de exercícios deve respeitar os sinais clínicos , não podendo causar dor, sendo assim individualizados. Podem ser associados exercícios para grupos musculares específicos incluindo caminhadas em aclive, exercícios de senta e levanta, dança, uso de bolas terapêuticas para isolar grupos musculares, entre outros.

O alongamento passivo dos membros tem grande importância no ganho de amplitude articular e muscular além do restabelecimento da função da mesma. Além disso, a mobilização articular adequadamente realizada auxilia na redução da rigidez, aumentando a amplitude de movimento articular e possibilitando uma melhor movimentação do animal, aumento no metabolismo e difusão de nutrientes na cartilagem.

A displasia acomete cães de diversas raças, dentre elas goldens, labradores, pastores alemães causando dores e dificuldades de se movimentar.

Outras técnicas podem ser associadas como a utilização de ultrassom terapêutico, bolsas quentes, massagens e eletroterapia (TENS, Insterferencial) para auxiliar na redução da dor e da rigidez articular, proporcionando condições para a realização dos exercícios ativos.  Pode ainda ser ulitizada a eletroestimulação neuromuscular para auxiliar no ganho de força e redução de hipotrofias musculares. Nos processos inflamatórios agudos, a crioterapia pode auxiliar no controle da inflamação e ajudando no controle da dor. A associação do tratamento à técnicas de acupuntura (como agulhamento, eletroacupuntura e implantes de ouro) é recomendada , obtendo-se assim um efeito sinérgico. Ainda na reabilitação, em casos graves ou com dor recidivante, pode-se recomendar a associação com terapias como células tronco, aplicação de shock wave e infiltrações articulares com ácido hialurônico.

Por fim, conclui-se que o a abordagem da displasia coxofemoral em nossos pacientes deve envolver terapias múltiplas para assim proporcionarmos uma adequada qualidade de vida ao animal. A prática de fisioterapia, suporte analgésico e exercícios orientados são essenciais nas diversas formas clínicas em que se apresenta a doença, mantendo o suporte articular adequado, inclusive em animais em que já foram realizadas técnicas cirúrgicas.

 

 

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