29 JAN

TPLO – Cirurgia para estabilização do joelho em cães

Fisioanimal

TPLO – Cirurgia para estabilização do joelho em cães com ruptura do Ligamento Cruzado Cranial.

Texto Dra. Maira Formenton, Diretora clínica Fisioanimal.

“A ruptura do ligamento cruzado cranial é umas das afecções de maior
incidência na articulação fêmoro-tibio-patelar (FTP) dos cães, e, consequentemente, considerada uma das principais causas para doença articular degenerativa neste local (JOHNSON; JOHNSON, 1993).

Esta lesão do ligamento ocorre quando forças articulares internas ou
externas excedem a força de tensão do ligamento íntegro ou enfraquecido por doença articular prévia. O diagnóstico desta afecção é baseado em testes de instabilidade articular, como o de compressão tibial e de gaveta. Porém, exames complementares, como raios-X e ressonância magnética, podem ser considerados principalmente para avaliação do grau de degeneração articular. Preconiza-se para a RLCCr o tratamento cirúrgico, com a descrição de diversas técnicas, dentre as quais técnicas intra-articulares como técnicas de reparação do ligamento, extra articulares como a sutura fabelo-tibial e, recentemente, as osteotomias corretivas como o avanço da tuberosidade da tíbia (TTA) e a osteotomia de nivelamento do platô da tíbia (TPLO) (VASSEUR, 2003; PIERMATTEI et al., 2006; COMERFORD et al., 2011).

As técnicas de osteotomia corretiva, como a TPLO, foram desenvolvidas
a partir estudos de biomecânica do joelho do cão. Estas técnicas visam a estabilizar o joelho, neutralizando a força de translação tibial cranial (thrust tibial cranial), ao invés de restringir o movimento da tíbia (SLOCUM; SLOCUM, 1993; WARZEE et al., 2001). A técnica de TPLO consiste em uma osteotomia circular da tíbia proximal, com rotação caudal e distal do platô tibial e posterior fixação com placa e parafuso (SLOCUM; SLOCUM, 1993).

Por meio desta técnica, há a estabilização dinâmica da articulação, neutralizando o anteriormente referido thrust tibial e tornando o teste de compressão tibial negativo. Em contrapartida, o teste de gaveta permanecerá positivo, considerando que não houve a estabilização estática da articulação (PIERMATTEI et al., 2006). No pós-operatório os cuidados envolvem o controle da dor e restrição de atividade até a consolidação óssea, considerando-se que o apoio precoce do membro operado é um dos benefícios da técnica (HOLZLER et al., 2005)

Fonte imagem:
https://www.southernanimalhealth.com.au/veterinary-surgery/tibial-plateau-levelling-osteotomy-tplo/

Fonte imagem: https://www.southernanimalhealth.com.au/veterinary-surgery/tibial-plateau-levelling-osteotomy-tplo/

A fisioterapia pode auxiliar no controle da dor e na recuperação muscular
em cães após a TPLO. Um estudo realizado por Monk et al. (2006), comparou dois grupos no pós-operatório de TPLO: um foi submetido a três sessões semanais de fisioterapia e o outro apenas a exercícios domiciliares. Os animais do grupo fisioterapia apresentaram uma perimetria muscular aproximada entre os membros (operado e contralateral) quando avaliados após três semanas do procedimento cirúrgico, e, consistentemente, maior do que o grupo que realizou apenas exercícios em casa. A amplitude de movimento dos animais do grupo fisioterapia também foi significativamente maior que o grupo controle, tanto as 3 quanto as 6 semanas de pós-operatório. Não houve diferença entre os grupos na questão de claudicação e descarga de peso.

Em humanos, Vasconcelos et al. (2011) fez um estudo avaliando a presença de dor na região anterior do joelho, em pacientes submetidos a técnicas reconstrutivas de ligamento cruzado anterior. Em avaliação, após dois anos da intervenção cirúrgica, detectou-se dor em 28 % dos pacientes em uma intensidade média de 2,8/10 e, quando presente, ocasionava um efeito deletério nos escores funcionais avaliados. Neste estudo, evidenciou-se que a dor, mesmo quando em mínima intensidade, prejudica no resultado da reconstrução do ligamento cruzado anterior e tem impacto negativo na funcionalidade do membro mesmo após dois anos da intervenção.

Outro aspecto deletério da presença de dor no pós-operatório de
reconstrução de ligamento cruzado é o retardo do início ou execução de exercícios de fortalecimento. Brown et al. (1997) avaliaram pacientes humanos no pós- operatório de reconstrução de ligamento cruzado anterior via artroscopia nos cinco primeiros dias. O pico de intensidade de dor foi descrito no segundo dia, sendo que ao final dos cinco dias, os pacientes que apresentaram uma maior pontuação nos escores referentes à dor tinham maior dificuldade em elevação ativa do membro. Sugeriu-se que a dor inibe a função de elevação ativa e pode, portanto, retardar uma reabilitação precoce e o retorno funcional adequado. ”

 

Fonte:

FORMENTON, M. R. Eletroterapia e laserterapia no controle da dor e inflamação no período pós-operatório em cães submetidos a cirurgia de osteotomia de nivelamento do platô da tíbia: estudo prospectivo. [Electrotherapy and laser therapy on the control of pain and inflammation in the post operatory period after Tibial Plateau Leveling Osteotomy: a prospective study]. 2015. 109 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.

 

 

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