23 ABR

Fisioanimal marca presença no Congresso COMDOR 2019 falando sobre dor e reabilitação

Fisioanimal

Reabilitação ganha espaço e tem mais de 600 ouvintes no Congresso COMDOR- Medvep em Campinas

Reabilitação veterinária

A medicina veterinária está abrindo cada vez mais espaço para a terapia multimodal, neste cenário a medicina física e de reabilitação surge para auxiliar os pacientes com dor. “Contribui para diminuir a carga de medicação, trazer qualidade de vida e complementando, muitas vezes, casos em que a terapia é o alvo do tratamento”, diz a coordenadora da pós-graduação em Fisioterapia, Fisiatria e Reabilitação Veterinária do Instituto Bioethicus, diretora do Centro de Fisioterapia e Reabilitação Veterinária Fisioanimal, Maíra Formenton (FOTO 1) , que está com três palestras no último dia de Comdor. A primeira delas fala sobre “Reabilitação física em cães e gatos com dor crônica”. Para a médica é preciso entender o papel que um exercício terapêutico ou um fortalecimento tem no controle da dor. Na sua avaliação, hoje há casos de pets que são sedentários ou obesos, “situações em que a reabilitação atua com bastante força”. Uma das consequências desse tratamento é a reaproximação entre o tutor e o seu animal, fazendo com que se reconstrua a relação.

Dra Maira Formenton, diretora clínica Fisioanimal explicou dobre dor, imobilismo e reabilitação veterinária

 

Em um segundo momento, Maira falou sobre “Síndrome do imobilismo: uma condição silenciosa no dia a dia de cães e gatos”, que é a falta de movimentação dos bichos. “São animais que foram para dentro de casa e começaram a mexer cada vez menos aponto de desenvolverem esta doença, que é o imobilismo”, diz. Geralmente acomete pacientes idosos que, segundo a especialista, praticamente não andam e ficam isolados do convívio familiar. “Há uma quebra de vínculo e é um ciclo, porque tem dor não anda, não anda porque tem dor. A imobilidade em si agrava muito os quadros de dor”, afirma. Maíra é enfática ao dizer que a imobilidade é uma doença e que, cada vez mais, ela aborda o tema para instigar aos profissionais a não deixarem os bichos quietinhos. “Deve-se ter um equilíbrio entre o repouso e a movimentação”.

O terceiro tema da veterinária foi “Diagnóstico e abordagem terapêutica da dor miofascial”, que é primordialmente do músculo esquelético. De acordo com Maira, a musculatura e o complexo de dor miofascial chega a ser responsável por 50% das manqueiras nos animais. “Se tem um paciente com artrose, é característico ter juntamente uma dor miofascial. Por vezes, o veterinário dá analgesia que gera resultado no início, mas com a regressão e a volta da dor, a conclusão é de que houve uma falha de medicamento. Quando, na realidade, a dor pode ser de origem muscular”, explica. Estudos mostram que o tratamento deve ser focal, direcionado à musculatura específica, com massagens, liberação miofascial, alongamento e fortalecimento. “Se o músculo não for tratado, o resto não melhora”, diz. Apesar de ser um tema novo na medicina veterinária, é amplamente difundido na medicina humana. “É importante entender que um tratamento não exclui o outro. São terapias que trabalham em conjunto, que complementam uma a outra”, finaliza.

Ozonioterapia veterinária

A ozonioterapia é uma técnica que usa o gás ozônio de forma terapêutica, cada vez mais disseminada na área da medicina veterinária nos últimos anos, apesar de já ser conhecida no Brasil há pelo menos 40 anos, aplicada na medicina humana. Para falar sobre o tema, o Comdor 2019 conta com o coordenador do curso de Ozonioterapia em pequenos animais da Fisioanimal Cursos, professor convidado no Instituto Bioethicus e da Universidade Incisa Imam, César Braz do Prado (FOTO 2). “A abordagem é sobre os efeitos analgésicos e anti-inflamatórios da técnica aplicada em casos de dor crônica em cães e gatos”, fala. Prado afirma que nos últimos cinco anos a técnica se tornou mais popular, com cursos de capacitação, indicação de profissionais e pesquisas sobre o assunto.

É indicada para diversas patologias desde alterações infecciosas, como tratamento de feridas, até a medicina interna, como alterações renais, hepáticas, úlceras gástricas. “Mas, o carro-chefe é o tratamento de dor, como algo complementar”, diz o médico. De forma geral, Prado fala que a técnica é uma novidade na área, mas está sendo implementada na maioria das cidades do país. “Está crescendo com o aumento de cursos e capacitação, a tendência é que se torne cada vez mais fácil de ter acesso a ozonioterapia”, fala.

Prado reconhece que o Comdor é uma oportunidade de mostrar mais a fundo a técnica, suas indicações e o tratamento da dor crônica. “E também de que não é apenas um modismo ou algo alternativo, ela tem base científica de que contribui efetivamente aos variados tipos de situações”, declara. O evento traz à luz o tema dor em diferentes aspectos e Prado comenta que o debate é importante para a classe veterinária como um todo, entender como funciona e interage com as outras doenças. “E para aqueles que já têm interesse no tratamento de dor, aprender mais sobre os mecanismos de ação, as novidades, tendências, para se atualizar com informações de ponta”, finaliza.

 

Ozonioterapia veterinaria tem destaque para sua aplicação no controle da dor.

Medicina Integrativa veterinária

A medicina integrativa é uma abordagem médica diferenciada e para mostrar a sua eficácia, a veterinária vai falar sobre como a dor crônica pode ser vista sob esta linha. “Com tratamento multimodal, desde associação com terapias não convencionais e com associações às especialidades da medicina veterinária. Por exemplo, o uso da nutrição funcional para a modulação de dor, de técnicas para fazer o manejo do stress, a questão dos exercícios, do sono, da influência do tutor, a análise do sistema gastrointestinal, entre outros”, explica Camila Watanabe (FOTO 4), médica veterinária, com experiência na área de Fisiatria Veterinária e Cuidados Integrativos. Ou seja, como modular a dor olhando por diversos aspectos do estilo de vida animal, “acaba sendo uma abordagem integral, sem necessariamente o uso de práticas integrativas”, complementa. A médica fez a última palestra do Comdor 2019 sobre “A medicina integrativa no controle da dor crônica”.

 

Medicina Integrativa já chega à veterinária.

 

Ela também irá citar algumas práticas interativas, como a acupuntura e o reiki, que se pode associar as outras especialidades. A medicina integrativa é a união do convencional junto ao não convencional, “da melhor forma possível, multiprofissional, trabalhando para olhar todos os aspectos do paciente, sejam físicos, emocionais ou espirituais”, diz

Texto: Básica Comunicações

Foto: Mauro Lainetti

Organização: MedVep e MarkMesse

 

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