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Tendinopatias em pequenos animais

A união dos tecidos musculares, endomísio, perimísio e epimísio, dão origem a estrutura tendínea, que liga o tecido muscular esquelético aos ossos, tanto em sua origem quanto inserção, realizando a transmissão de força entre eles e permitindo, assim, o movimento das articulações e a manutenção da postura corporal (CAMPOS, 2014; ROSSI et al, 2007).

Sua vascularização é limitada, sendo 25% fornecida pelo perimísio e periósteo, e o restante, por meio de veias e vasos linfáticos do paratendão ou mesotendão, podendo ser relacionada com possíveis lesões tendíneas ou alterações em seu processo de reparação (ALVES; MIKAIL, 2009; BANKS, 1992).

O tendão possui em sua composição fibras colágenas com propriedades biomecânicas como flexibilidade, resistência e elasticidade, sendo assim, sua estrutura é considerada viscoelástica e a deformação sofrida por ela devido a uma carga imposta é tempo- dependente (ALMEIDA, 2006; ROSSI, L., 2007). Desta forma, as lesões tendíneas podem acontecer por diversas causas, sendo elas, degenerativas ou inflamatórias, com diferentes graus de intensidade de alterações nas propriedades biomecnicas anteriormente citadas (ALVES; MIKAIL, 2009). As tendinopatias mais comum em cães são a tenosinovite do tendão bicipital e do supraespinhoso no ombro, além da tendinopatia do tendão calcâneo no membro posterior.

Após uma injúria, cicatrização tendínea envolve componentes extrínsecos e intrínsecos (PARIZOTTO, 1998; SPURLOCK et al., 1989). Na neoformação da estrutura tendínea, o colágeno se apresenta imaturo, desorganizado e com fibras de pequeno diâmetro. Com o passar do tempo, o processo de maturação vai aumentando, gradativamente, o diâmetro das fibras, que se depositam de modo longitudinal no local da lesão, organizando-se em feixes. A área lesionada é submetida a um processo de remodelamento, levando a uma regeneração da estrutura tendínea, porém incompleta, que modificam a estrutura e as propriedades mecânicas do tendão (MARXEN, 2001). Sendo assim, a fisioterapia exerce um papel essencial como no processo de remodelamento e cicatrização tendínea, de forma a possibilitar a recuperação, sem déficit funcional.

Na primeiras fase do tratamento, o uso de recursos como a magnetoterapia, laserterapia e o ultrassom terapêutico são de destaque. Possibilitam o controle da fase inflamatória e o inicio do processo de remodelamento e alinhamento das fibras tendíneas. A eletroterapia com correntes como TENS, ou a corrente Interferencial, atuam no controle da dor além de possibilitar a cinesioterapia precoce, como alongamentos e exercícios leves de descarga de peso. A acupuntura também fornece um ótimo estímulo à reorganização tecidual, ademais do controle da dor e de mediadores inflamatórios.

Já na segunda fase, o retorno à função é o foco, com exercícios isométricos e ativos, porém de intensidade leve. A hidroterapia pode fornecer a sustentação necessária para a realização dos exercícios sem sobrecarga no tendão lesionado, porém ressalta-se que a natação é contraindicada em casos de tendinites em região de ombro.

Na terceira fase, de forma lenta e progressiva, institui-se os exercícios de impacto como caminhadas ou leves trotes, exercícios de força como dar a pata com pesos (máximo 1% do Peso Vivo), cavaletes, subir e descer rampas. Respeitar o tempo de recuperação do animal e, lentamente, acrescentar o volume e intensidade dos exercícios, é a chave da reabilitação. Uma lesão aguda de tendão leva cerca de 6 semanas de reabilitação, sendo que o período de recuperação das lesões crônicas podem variar de 3 a 6 meses, dependendo do grau de alteração inicial.

Texto com participação da M.V. Esp. Vanessa Egêa Alvaro do Nascimento, veterinária fisiatra Fisioanimal

Referências e leituras sugeridas:
ALMEIDA, F. M. Efeitos do alongamento sobre a matriz extracelular do tendão calcanear de ratos. 2006. 103 f. Tese (Mestrado em Biologia Celular e Estrutural) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia, Campinas, 2006.
ALVES, A. L. G.; MIKAIL, S. Afecções tendíneas e ligamentares. In: PEDRO, C. R.; MIKAIL, S. Fisioterapia veterinária, 2. ed. São Paulo: Manole, 2009. cap. 25, p. 205-214.
BANKS, W. J. Histologia veterinária aplicada. Barueri: Manole, 1992.
CAMPOS, I. O. Avaliação ultrassonográfica da articulação do ombro em cães hígidos da raça Beagle. 2014. 74 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias) - Faculdade de Ciências Veterinárias, Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2014.
ROSSI, L. P.; VIEIRA, F. F.; FERREIRA, L. A. B.; PEREIRA, W. M. Aspectos histopatológicos nas tendinopatias. Revista Univap, v. 14, p. 1100-1103, 2007. Disponível em: http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2007/trabalhos/saude/inic/INIC00149_02O.pdf. Acesso em: 22 jan. 2015.
PARIZOTTO, N. A. Ação do laser de He-Ne sobre o reparo tecidual em tendão de ratos: análise por microscopia de força atômica, microscopia eletrônica de varredura e eletroscopia por infravermelho. 1998. 205 f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação, Unicamp, Campinas, 1998.
SPURLOCK, G. H.; SPURLOCK, S. L.; PARKER, G. A. Evaluation of hylartin V therapy for induced tendonitis in the horse. Journal of Equine Veterinary Science, n. 9, p. 242-246, 1989.
MARXEN, S. Análise da eficácia de Polissulfato de Glucosaminoglicanas no tratamento intratendíneo de tendinites induzida enzimaticamente pela colagenase em equinos. 2001. 77 f. Tese (Mestrado em Área de Concentração em Cirurgia Veterinária) – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jabuticabal, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal, 2001.

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