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Como avaliar o paciente na Fisioterapia Veterinária?

A avaliação fisiátrica é um elemento essencial para a elaboração do tratamento de cada paciente. Da mesma forma que na consulta clinica, na fisioterapia é parte inicial do tratamento e, sem esta, não é possível estruturar um plano de abordagem multimodal.

Em uma primeira consulta, realiza-se uma anamnese minuciosa do paciente, que envolve todos os aspectos clínicos e histórico do animal, além do levantamento da queixa principal. Questões de destaque são a alimentação, o grau de atividade física antes e após a lesão, castração (idade em que ocorreu), presença de co-morbidades, doenças cardíacas e alterações tegumentares. A presença de tratamentos anteriores de reabilitação, além das intervenções cirúrgicas realizadas, são de suma importância, pois estes aspectos podem influenciar diretamente a condução da fisioterapia. Como precaução, deve-se indagar sobre imunização, vermifugação e animais contactantes no ambiente. Em relação ao local e estilo de vida do paciente, devem ser feitas perguntas como a presença de escadas, piso aonde o animal vive e, estilo de vida (como dormir na cama, subir em sofás, passeios a parques nos fins de semana). Desde a anamnese, a avaliação da dor tem destaque, e sinais como claudicação, relutância em se movimentar, diminuição do apetite, lambeduras excessivas e até mesmo a automutilação podem ser relatados pelo tutor. Recomenda-se o uso de escalas de avaliação de dor como a Escala Numérica Verbal, associados a questionários de avaliação como Helsinki e Glasgow.

Em seguida à anamnese fisiátrica, segue-se ao exame físico clínico básico, com auscultação cardio-pulmonar, condição de coloração de mucosas, alterações em linfonodos, avaliação de temperatura, palpação abdominal e avaliação do escore corporal. Busca-se já neste momento a presença de lesões no sistema tegumentar e de nódulos ou massas palpáveis, em todas as partes do corpo, que possam ter passado desapercebidas pelos tutores. Seguindo-se para o exame fisiátrico, este engloba a análise da locomoção (ao passo, trote e galope, se possível), análise estática biomecânica e de conformação, com especial atenção à assimetrias, desusos e compensações, originárias ou não da queixa principal. Realiza-se a palpação de estruturas de musculatura, fáscias e ósseas, de forma a identificar aderências, presença de trigger points, contraturas musculares, deformidades, alterações posturais ou dificuldades de movimentação, além de dor ou sinais de inflamação.

As diferenças de volume de massa muscular, e quantificação de hipotrofia ou atrofia muscular, podem ser realizadas pelas técnicas de perimetria (Foto 1). Neste método, realiza-se uma aferição da circunferência da estrutura (seja um membro ou o abdômen, por exemplo) com uso de fita métrica. Já na goniometria, obtêm-se uma medida precisa da condição da amplitude de flexão e extensão de determinada articulação, através do goniômetro, uma ferramenta desenvolvida para este fim (Foto 2). Associa-se ao final o exame ortopédico ou neurológico, dependendo do quadro que o paciente apresenta, para um melhor panorama da condição muscular-esquelética-neurológica.

Outro método complementar, a Termografia, tem destaque pela facilidade e versatilidade, além da rapidez e não invasividade da avaliação. A realização do exame ocorre através de câmeras termográficas que têm a capacidade de captar a emissão de radiação infravermelha da pele, e por consequente, converter em uma avaliação da temperatura superficial corpórea. Regiões com inflamação do tecido apresentam a temperatura elevada, o que aumenta a emissão de radiação e a captação pela termocâmera (Foto 3).

Os últimos tópicos a serem considerados são de comportamento do animal e aspectos psicológicos, físicos e financeiros, em relação ao tutor. Animais agressivos, com medo de água, ou muito agitados, por exemplo, podem não adequar-se a todas as técnicas na reabilitação. O mesmo pensamento em relação ao tutor, onde por diversas vezes nos deparamos com proprietários idosos, ou com limitações físicas, que não poderiam seguir um plano de exercícios domiciliares. Em pacientes felinos, as sessões podem ser reduzidas, de forma curta e objetiva, pelo fato desta espécie tolerar pouca manipulação, ou até mesmo serem agressivos.

Bibliografia:
Formenton, M. R. Fisioterapia em Cães e Gatos. Tratado de Dor: Sociedade Brasileira do Estudo da Dor; Cap. 2016, p. 2457-247, São Paulo, Ed. Atheneu, 2017.

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